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Criticas de Cinema

Black Swan (Cisne Negro ) trata de um assunto bem interessante e pertinente: a pressão e obsessão artística.

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Poster de divulgação de 'Black Swan'

Darren Aronofsky é um dos inúmeros cineastas oscilatórios do dito circuito de arte hollywoodiano. Eu diria que é um dos principais nomes, ao lado de “autores” como Paul Thomas Anderson e David Fincher. Aronofsky possui uma pequena filmografia, mas que garante um estilo pessoal de direção, mais precisamente de enfoque.

A principal característica de seus filmes é a pretensão, que desde seu esquálido longa-metragem de estréia – Pi (1988) mostra a capacidade do diretor de exagerar na caracterização e ambição do projeto. Seu melhor trabalho até então é seu único filme com viés realista – “O Lutador” (2008). Os outros “Requiem for a Dream”, “A Fonte” e o recente “ Cisne Negro ” até possuem grandes temas, no entanto pecam na abordagem fílmica e na excessiva pretensão do diretor de fantasiar em demasia algo que já era insólito por natureza, talvez para suprir a falta de soluções narrativas das respectivas tramas.

Seu filme mais recente ‘Black Swan’ – Cisne Negro (2010) trata de um assunto bem interessante e pertinente: a pressão e obsessão artística.

Natalie Portman interpreta uma pretensiosa bailarina virgem. Seu objetivo é conseguir o papel principal para “O Lago dos Cisnes” que o renomado coreógrafo vivido por Vincent Cassel dirigirá. A personagem não medirá esforços para conseguir o papel protagônico e a respeitável companhia de dança é bem seleta e criteriosa nas suas escolhas.

Nina Sayers (Natalie Portman) é de certa forma bastante inocente, imatura e pura para um balé tão complexo. O diretor da companhia sabe disso e, mais importante, a bailarina conhece suas próprias limitações. É nesta questão pessoal que inicia as fantasmagorias impostas por Aranofsky a atriz principal. Utilizando recursos psicológicos para esmiuçar a personagem, o filme ganha ares sombrios que beira o universo expressionista. O problema não é emular um certo ambiente claustrofóbico e aterrorizante, mas sim recorrer a um psicologismo freudiano barato para atormentar a personagem. “ Cisne Negro ” em momento algum expõe a gênese do problema, a única explicação dedutível é uma suposta imposição feita pela mãe (Barbara Hershey) que era bailarina antes de dar a luz a Nina. Em momento algum fica nítido que os dilemas da personagem foram causados pela coerção materna. Com isso, todas as firulas mentais revestem apenas pesadelos gratuitos e passíveis de impressionar o público. “ Cisne Negro ” torna-se uma obra com uma atmosfera forçada, imposta, em suma: artificial.

Beijo lésbico protagonizado por Mila Kunis e Natalie Portman em 'Black Swan'

A falta de sutileza do diretor ou excesso de grandiloqüência prejudicam o decorrer do filme. A personagem conturbada e ambígua confronta uma rival que é exatamente o arquétipo inverso de sua persona. A bailarina interpretada brilhantemente por Mila Kunis tem exatamente todas as características e qualidades que faltam na protagonista e, não à toa, é muito mais simpática ao público que a apática bailarina vivenciada por Natalie Portman.

Por mais que o confronto entre as duas personagens gerem desenrolares da história, o grande percalço que o filme expõe fica sem solução, servindo apenas para a construção de situações maneiristas e ilusórias. As trucagens visuais são o mais puro embuste e servem apenas como elucubrações de delírio (in?)consciente.

A funcionalidade do filme se perde no tratamento individual psicológico da protagonista. O estilo visual serve apenas para corroborar as alucinações e este pleonasmo não se refere apenas a questões de imagem. O filme a todo momento nos lembra daquilo que foi dito ou especulado, reforçando uma concepção e subestimando o público. O filme se arrasta, cenas e mais cenas repetitivas e gratuitas. A desumanização de Nina até chega a alavancar a obra, porém falta sensibilidade na direção calculista de Darren Aronofsky.

Lucas Murari
lucasmurari@naoesqueci.com.br

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