S3x0, Sol e Câmeras: Novo Livro Fotográfico Revive a Era Dourada e Caótica de Cannes
Sol. Pele. Celebridades. E uma horda faminta de paparazzi.
Essa era a essência do Festival de Cannes durante os anos 80 e 90 — uma época em que o glamour era escancarado e a diversão, sem filtro. É esse espírito que o consagrado fotógrafo britânico Derek Ridgers resgata em seu novo livro de fotos: Cannes.
“Sol, mar, praia, garotas, multidões, a linda Riviera Francesa… e estrelas de cinema andando por todos os lados. Para um fotógrafo, é viciante.”
— Derek Ridgers, sobre a magia de Cannes
Ridgers pisou pela primeira vez na famosa Croisette em 1984, o mesmo ano em que Paris, Texas ganhou a Palma de Ouro e Era Uma Vez na América teve sua estreia mundial. A missão era registrar o DJ Afrika Bambaataa e cobrir a exibição de Beat Street para a revista NME. O que encontrou foi um verdadeiro “circo”.
O LIVRO
Com lançamento marcado para 15 de maio, Cannes terá tiragem limitada de 500 exemplares, à venda online e nas lojas Dover Street Market de Londres, Nova York e Los Angeles. A obra reúne cliques feitos entre 1984 e 1996 — um retrato cru e bem-humorado de uma Cannes onde tudo podia acontecer.
“Não é um livro sério. É sobre os tempos loucos e divertidos que foram o Festival de Cannes nos anos 80 e 90. Tudo é meio frívolo — e tudo bem.”
— Derek Ridgers
ESTRELAS, EXCESSOS E ESTRANHEZAS
Entre os registros mais marcantes:
- Johnny Depp (1992): chegando de barco e “roubando” a câmera de um fotógrafo.
- Sylvester Stallone (1990): subindo em uma cadeira para aparecer melhor nas fotos.
- Anna Amore (1996): estrela pornô de Los Angeles que posava sorridente para Ridgers.
- Helmut Newton (1988): que sugeriu ao fotógrafo: “Você está tão perto que devia entrar na foto também.”
- Connie (1988): uma musa não-identificada que virou figurinha carimbada na areia.

O OLHAR DO FOTÓGRAFO
“Minha imagem favorita é a da mulher com casaco listrado na página 16. Alguns fotografam, a maioria só observa. Isso é Cannes: ninguém sabe exatamente o que está acontecendo, mas todo mundo está de olho.”
— Derek Ridgers

Loaded . Cortei Martin porque ele não se encaixava perfeitamente na narrativa.” Derek Ridgers
Ele usava, principalmente, uma Nikon FM2 — câmera analógica simples, leve e confiável. “Dava para andar o dia todo com duas delas no ombro, sem precisar de oxigênio”, brinca.
O DIA EM QUE A CÂMERA FICOU NA BOLSA
Ridgers narra um episódio curioso: ao tentar invadir uma festa em uma villa nas colinas de Cannes, deu de cara com uma mansão vazia — exceto por John Hurt, deitado em um sofá, falando ao telefone e completamente alheio à presença do fotógrafo.
“Foi meia hora constrangedora em silêncio. Depois, a festa até valeu a pena. Mas nunca mais esqueci aquele começo estranho.”
Detalhe: segundo o IMDb, o filme que Hurt promovia, Starlet, nunca existiu.

A CANNES DE HOJE
Apesar da nostalgia, Ridgers não é do tipo saudosista:
“Acho que Cannes continua divertida. O sol, o mar, a praia continuam os mesmos. As estrelas mudaram, mas sempre haverá outras. Talvez a insanidade não chegue a 11, como naquela época… mas vai saber?”
Cannes, o livro, é um brinde aos tempos em que o inesperado era a única certeza na Riviera Francesa. E quando fotógrafos como Derek Ridgers sabiam exatamente onde mirar.





