Os Brasileiros Que Ganham R$ 500 Por Mes Para Treinar Inteligencias Artificiais
Os “operários de dados” são trabalhadores essenciais para o funcionamento dos sistemas de inteligência artificial (IA), realizando uma série interminável de microtarefas nos bastidores. Apesar de sua importância, esses profissionais são mal remunerados e muitas vezes precisam acumular empregos para sobreviver, mesmo possuindo diplomas universitários.
Gustavo Luiz, 19 anos, é um exemplo desses trabalhadores. Ele divide seu tempo entre o curso de inteligência artificial na Universidade Federal de Goiás e seu emprego como operário de dados. Gustavo trabalha no desenvolvimento de um sistema de IA para analisar sentimentos expressos em textos e frases em português.
O mercado de IA, avaliado em bilhões, atrai talentos com salários altos, mas há um contingente de trabalhadores terceirizados que fazem o trabalho manual, ganhando menos da metade de um salário mínimo. Eles são responsáveis por inserir dados para treinar e moderar sistemas de IA, conhecidos como “treinadores de IA”.
Esses trabalhadores, muitas vezes chamados de “trabalhadores fantasmas”, realizam tarefas fragmentadas para refinar as inteligências artificiais. Paola Tubaro, socióloga especializada em ciência da computação, explica que esse trabalho manual contradiz a narrativa de automação progressiva. Por isso, empresas de tecnologia não divulgam amplamente esses trabalhos.
Rafael Grohmann, professor da Universidade de Toronto, compara os operários de dados ao chão de fábrica de uma indústria tradicional. “A lógica do que é a classe operária vai mudando com o tempo. Essa é uma nova apresentação do que são os blue-collars [trabalhadores manuais] e os white-collars [executivos]”, diz Grohmann.
No Brasil, os operários de dados ganham em média R$ 583,71 por mês em um emprego. Eles são pagos por tarefa concluída, não por hora trabalhada. A média global de ganho por hora é de US$ 4,43, mas no Brasil é de apenas US$ 1,60.
Mauro Zackiewicz, pesquisador em inovação e ciência de dados, conta que trabalhou para uma fabricante de celulares, corrigindo documentos para um sistema de reconhecimento de voz, ganhando apenas para a subsistência e sem contrato.
A pesquisa “Microtrabalho no Brasil” constatou que muitos desses trabalhadores têm diploma universitário. Sete em cada dez têm entre 18 e 35 anos, e três em cada cinco são mulheres. A maioria reside em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
A Fairwork, uma iniciativa global coordenada pelo instituto Oxford Internet e pelo Centro de Ciências Sociais WZB Berlin, denuncia abusos e propõe soluções para melhorar as condições de trabalho desses profissionais. A organização atua em 38 países, incluindo o Brasil, e tem influenciado a implementação de mudanças em políticas internas de empresas de tecnologia.
Os operários de dados enfrentam desafios globais e específicos de cada país. Nos Estados Unidos, por exemplo, eles atuam mais como motoristas de Uber, enquanto as tarefas de moderação de conteúdo são terceirizadas para nações da África, Ásia e América Latina.
Os “operários de dados” são uma peça fundamental no funcionamento dos sistemas de inteligência artificial, realizando tarefas cruciais nos bastidores. No entanto, suas condições de trabalho e remuneração ainda deixam muito a desejar. Iniciativas como a Fairwork são essenciais para melhorar a situação desses trabalhadores, garantindo direitos e melhores condições de trabalho.
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