Thais Leitão
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro – Dois meses após a tragédia que atingiu cidades da região serrana do Rio de Janeiro, deixando mais de 900 mortos, os moradores ainda convivem com rastros de destruição. Somente no município de Nova Friburgo, o mais prejudicado, 387 famílias que perderam suas casas ou tiveram seus imóveis interditados ainda vivem nos 26 abrigos mantidos em funcionamento.
De acordo com a prefeitura de Nova Friburgo, o volume de trabalho para fazer a cidade voltar a funcionar é muito grande e a retomada das atividades foi priorizada nas áreas centrais do município. Nessa região, os serviços de limpeza e remoção de terra já foram concluídos. Mas nos bairros que foram mais atingidos pelos deslizamentos, ainda é possível ver montes de lama, imóveis destruídos e crateras abertas nos morros.
O morador do bairro de Olaria, Ricardo Medeiros, disse que por lá a vida praticamente voltou ao normal. Ele, que trabalha no setor de comércio de alimentos, fornecendo produtos a restaurantes, hotéis e pousadas, enfatizou, no entanto, que houve diminuição no movimento de turistas principalmente nos fins de semana.
“Olaria é um bairro bem próximo ao centro e aqui o maior problema foi a inundação, não houve deslizamento de terra. Aos poucos, a gente foi retomando a rotina de trabalho e da vida. Mas dá para perceber que não tem muito turista nos fins de semana. O pessoal não está vindo como antes”, afirmou.
Segundo ele, o clima na cidade ainda é de medo a cada nova ameaça de chuva. “Todo mundo ainda está muito traumatizado. Basta o céu escurecer para começar o medo. Um liga para o outro para saber se está chovendo nos outros bairros, todo mundo fica apreensivo. A catástrofe aqui foi muito grande.”
O presidente da Empresa de Obras Públicas do estado (Emop), Ícaro Moreno, estima que a reconstrução total dos sete municípios atingidos vai levar cerca de dois anos e meio. Ele informou que somente em Nova Friburgo há mais de 120 intervenções grandes, entre obras de contenção, desobstrução de ruas e remoção de terra.
“Pretendemos concluir até o final de abril a fase emergencial, que inclui a recuperação de infraestrutura, as contenções e a parte de [drenagem de] rios e canais, e a estimativas de custos. Mas a reconstrução total dessas cidades seguramente vai levar de dois anos e meio a três anos”, disse.
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