Aviso

Esta seção contém material impróprio para menores de 18 anos.

Você tem certeza que deseja prosseguir sua navegação em conteúdo probido para menores?

Voltar

Novidades em Vacina contra Hepatite C.

02:38 Arquivado em: Saúde | Author Name

A hepatite C é a principal causa de cirrose e de câncer de fígado no mundo. No Brasil, a doença já é uma epidemia, com 14.873 mortes registradas nos últimos dez anos. Não existe uma vacina para esse tipo de hepatite, que é o mais grave. Mas uma pesquisa publicada recentemente na Science Translational Medicine apresenta uma esperança: uma vacina que se mostrou eficiente em animais.

Desenvolvida por pesquisadores franceses, a nova vacina usa as chamadas ‘partículas semelhantes ao vírus’ (VLPs, na sigla em inglês) para induzir a produção de anticorpos neutralizantes do vírus da hepatite C (VHC) pelo sistema imune.

Essas partículas são uma espécie de ‘vírus oco’: têm as mesmas estruturas de um vírus, mas sem o material genético que o faz se replicar e causar a infecção. Ao serem injetadas na corrente sanguínea, as VLPs acionam a produção de anticorpos neutralizantes contra o vírus sem o risco de deixar a pessoa doente.

O VHC é altamente mutável e pode assumir várias formas. Essa característica faz com que 80% dos infectados não consigam se livrar do vírus e se tornem doentes crônicos, além de ser um empecilho para o desenvolvimento de vacinas.


A nova vacina contornou essa dificuldade. Por usar a estrutura externa do vírus, que não sofre tanta mutação quanto o seu material genético, ela foi capaz de induzir a produção de anticorpos que impediram a atuação das seis variações mais comuns do VHC, em macacos e camundongos.

 

“Foi um feito extraordinário”, diz o líder da pesquisa David Klatzmann, da Escola de Medicina Pierre & Marie Curie, de Paris, um dos primeiros cientistas do mundo a isolar e caracterizar o vírus da Aids, o HIV, na década de 1990.

O pesquisador aponta ainda que o uso das VLPs abre caminho não só para o controle da hepatite, mas também para outras doenças causadas por vírus mutáveis, como a dengue e a Aids.

Epidemia do século

A hepatite é considerada hoje uma epidemia silenciosa, que atinge 3% da população mundial. Como muitos dos infectados não desenvolvem sintomas, acabam transmitindo o vírus para outras pessoas pelo contato com o sangue infectado.

Klatzmann acredita que sua vacina veio em boa hora e alerta para as perspectivas de expansão da doença pelo mundo. “Até o final do século haverá mais pessoas infectadas com hepatite C do que com Aids”, diz. “Precisamos achar um modo de deter a propagação dessa infecção e a nossa vacina parece um bom começo.”

Para o médico Giovanni Faria, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), a perspectiva de uma vacina para hepatite é ótima, mas ela será mais bem aproveitada para determinados grupos do que para a sociedade em geral.

“O boom da hepatite foi antes dos anos 1980, quando ainda não se conhecia o vírus; a maioria dos infectados contraiu a doença nessa época”, conta. “Hoje a transmissão é bem menor e se dá principalmente entre os usuários de droga que compartilham seringas. A vacina será mais relevante para esse grupo de risco.”

Atualmente, o tratamento da doença é realizado com a associação de dois medicamentos, o interferon e a ribavirina, e a cura só é obtida em aproximadamente 48% dos casos.

Ainda assim, o avanço obtido com a vacina vai depender do poder público para se tornar aplicável. Klatzmann acredita que será difícil conseguir recursos junto a empresas privadas para dar continuidade às pesquisas e comercializar a vacina.

“A vacina preventiva contra a hepatite C não é de interesse comercial para as grandes companhias de vacina; não há tanto uso para elas nos países desenvolvidos do Ocidente, que têm recursos para o tratamento da doença”, diz.

O pesquisador avisa que já busca por financiamento nas agências públicas da França e espera começar os testes clínicos com a vacina em humanos já no ano que vem.

Fonte: Ciência Hoje.


Link encurtado:

facebook comments:

Deixe uma resposta

Google Plus site stats
Aviso

Esta seção contém material impróprio para menores de 18 anos.

Você tem certeza que deseja prosseguir sua navegação em conteúdo probido para menores?

Voltar