FOLHA.com – China teria ordenado ataque ao Google por violar censura estatal, revela WikiLeaks

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By nesqueci on 4 de dezembro de 2010. No Comments

Os Estados Unidos culparam altos funcionários do Partido Comunista Chinês do ataque que o Google sofreu no final do ano passado, que o obrigou a interromper temporariamente sua ferramenta de busca no país.

A informação consta nas mensagens diplomáticas secretas enviadas a Washington da embaixada dos EUA em Pequim, que foram publicadas neste sábado pelo site WikiLeaks como parte da progressiva difusão dos mais de 251 mil documentos aos quais teve acesso.

A embaixada americana obteve esta informação através de um contato habitual, considerado um sujeito “a ser protegido”, que desconhece, no entanto, se o presidente, Hu Jintao, e o primeiro-ministro, Wen Jiabao, estavam cientes do boicote ao Google.

As mensagens revelam a tensão crescente que o Google sofreu no ano passado por sua reticência em aplicar a censura em sua ferramenta de busca, assim como as tentativas protagonizadas pela empresa para resolver a questão de maneira discreta, com intervenção do governo americano, antes de denunciar publicamente a situação.

Em uma das mensagens, de 12 de julho do ano passado, um funcionário americano explica como o Governo chinês decidiu bloquear o buscador durante 24 horas como medida de pressão, ao constatar que não estava filtrando os resultados das buscas como queria.

A principal reivindicação dos altos funcionários chineses era que a direção Google.cn, acessada pelos usuários do país, não tivesse nenhum link com a google.com, na qual os conteúdos não são filtrados.

Mas a pressão foi acentuada, segundo indica outra das mensagens, quando um alto funcionário do Comitê Permanente do Politburo do Partido Comunista Chinês descobriu que era possível fazer buscas em chinês sem censura no site mundial.

Como prova, este membro não identificado nos documentos, pôs seu nome e clicou na busca. Os resultados, segundo relata o funcionário americano, foram “críticos”.

ATAQUE POLÍTICO

Este simples fato fez com que se começasse a preparar um ataque político contra o Google, que o forçasse a “abandonar um mercado potencial de 400 milhões de usuários”, segundo relata uma mensagem de janeiro passado.

Os documentos revelam que o alto funcionário que pôs seu nome no buscador obteve a ajuda de um segundo membro do Politburo para forçar o Google a eliminar de sua página chinesa o link que redirecionava as pesquisas à versão internacional.

O jornal “El País”, um dos veículos internacionais que teve acesso prévio às mensagens do WikiLeaks identificou os funcionários como Li Changchun e Zhou Yongkang, números cinco e nove na hierarquia do Politburo, composto atualmente por apenas nove membros.

Um dos documentos revela ainda a tentativa, supervisionada pelos dois membros do Politburo, de acessar por meio de um ataque virtual as contas do Gmail de dissidentes chineses.

Este ciberataque, que foi denunciado publicamente pelo Google em 12 de janeiro, foi descrito pela embaixada americana como “de natureza 100% política”, e não relacionado com nenhuma tentativa de eliminar o Google como concorrente para os buscadores chineses.

As acusações diretas dos EUA contidas nas mensagens são relevantes, pois até agora não tinha sido publicada nenhuma afirmação que vinculasse o ataque com o Partido Comunista chinês.

O episódio agravou as tensões entre a China e os EUA, e provocou a saída do Google do país após três anos de operações.

As tensões foram suavizadas em meados deste ano, quando o governo chinês renovou a licença do Google e o buscador deixou de redirecionar automaticamente os internautas chineses ao portal livre de Hong Kong, embora tenha conseguido manter o vínculo do google.com no portal chinês

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