EXCLUSIVO – Advogada dos pais das trigêmeas de Curitiba fala sobre o caso.

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By nesqueci on 12 de abril de 2011. 5 Comments

Em e-mail ao nosso site a Dra. Karine Cavasine esclarece mais sobre o caso das trigêmeas de Curitiba.

Segue e-mail abaixo.

Boa noite, sou a Dra Karine, trabalho no escritório da Dra Margareth Zanardini, advogada de defesa do caso das trigêmeas de Curitiba, gostaríamos de veicular o seguinte texto:
Em defesa das trigêmeas

Há quase dois meses tento que as famosas trigêmeas de Curitiba sejam reintegradas ao seio familiar. (tanto que o habeas corpus cuja decisão foi publicada na internet foi impetrado por mim – não pelos pais)Entendi que elas estavam sob constrangimento ilegal por não poderem ser amamentadas.Desde o início pensei nelas. Sempre nelas.

Tenho recebido emails acusatórios e ofensivos nos quais sou chamada , no mínimo, de insensível !
Quem é insensível? Quem está preocupado com a inviolabilidade psíquica destas três bebezinhas ?
Advogo – para elas – uma causa em segredo de justiça que, absurdamente, foi violado.

Com isso os pais das trigemeas estão sendo condenados sem que ninguém , aparentemente, pare para pensar em alguns aspectos.
Primeiramente, nenhuma linha se escreveu sobre a decisão que favorecia, não exatamente o casal , mas as filhas ( como o efeito suspensivo obtido para amamentação e visitas – sendo a execução do primeiro negada pelo primeiro grau graças a um atestado firmado por uma enfermeira que, na contra mão do que estabelecem todos os preceitos entendeu que as crianças não deveriam ser amamentadas)
O direito de visitas concedido ao alvedrio das normas do abrigo que juridicamente deveria colaborar para o restabelecimento dos vínculos familiares está sendo exercido ainda que apenas duas horas por semana.
Não posso falar sobre o processo.

Mas posso falar sobre a obrigação do advogado que presta função social.
Posso também falar sobre direito e principalmente sobre a natureza humana ,falível por excelência.
Preocupa-me a onda de boatos criados, ( ouvem -se as mais variadas teses que talvez venham a ser “ informadas “ )
Preocupa-me que uma psicóloga afirme que os pais não tem saúde mental ( isso só poderia ser atestado por um psiquiatra após testagens).
Mas, se os pais tinham algum problema de saúde psicológica , se estavam doentes, não cabia, primeiramente a tal profissional orientar-lhes a procurar ajuda terapêutica ? E à sociedade, ao Estado , auxiliá- los?

Estivessem eles com câncer, com aids, qualquer problema de saúde, não se mobilizaria a sociedade para ajudá-los? Por que, se estavam abalados emocionalmente não podem receber uma oportunidade? Auxílio ? Ainda, como podem suas palavras prevalecer em juízo se ouvidos nestas condições ? Alguém viu nos autos ( manuseados de maneira ilícita e por isso já em investigação pela Presidência do TJPR) que a mãe estava adoentada dois dias antes , tudo devidamente certificado ?

Por que são tratados com a violência das palavras, das entrevistas de várias pessoas que sequer conhecem as pessoas em questão, como seres que não mereçam qualquer chance?
De outro lado, preocupa-me e entristece-me que três bebezinhas recebam carinho,amor, atenção – apenas duas horas por semana . A atitude carinhosa dos pais , o desespero da mãe , já estão comprovados no processo. Acerca disso ninguém fala. Ninguém ,ao manusear o feito ressaltou esta verdade.

Por que foi omitido que a mãe amamentou as três crianças indistintamente até um dia antes do abrigamento ? Que há declaração de que a mãe era carinhosa com as três? Que durante as visitas que o Judiciário concedeu os pais agem com carinho, preocupação, enfim, como pai e mãe normais?
Por que não lembramos que todos erramos ( até o Judiciário acabou por colocar nomes em segredo de Justiça e oportunizou fossem folheados os autos e até publicadas fotos das min hás clientezinhas)
Onde está a sensibilidade focada nas principais vitimas de tudo isso?

Será que neste caso as conseqüências dos atos – um cogitado e outro arrependido – que atingem principalmente as filhas não deveria ser objeto de algo análogo a um perdão judicial ?
Aliás, será que é justo alguém ser condenado sem ter direito a defesa ? As trigêmeas, vulneráveis por excelência, estão condenadas a um abrigamento enquanto todos discutem se os pais – que as querem e por elas estão lutando – tem direito a elas se eles devem ou não receber o que determina a lei – a convivência familiar .

Um último questionamento – o que é, exatamente – mais cruel ?

Margareth Zanardini – advogada há 30 anos



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