A Origem – Uma boa ideia que falha na sua condução.

Home » Opinião » Criticas de Cinema » A Origem – Uma boa ideia que falha na sua condução.

By on 1 de Fevereiro de 2011. 1 Comment

        Se o prólogo de “A Origem” tem como função situar o espectador no universo esquemático que o filme irá

Uma das imagens oficiais de "A Origem".

decorrer, este recurso narrativo servirá apenas para corroborar uma muleta que o roteiro utiliza para complexificar uma trama confusa e “mirabolante”, muito mais próximas dos quebra-cabeças ao estilo de Charlie Kaufman do que um ambiente onírico e surreal como os de Luís Buñuel. Os sonhos não são utilizados como forma de inconsciente alegórico (Freud), mas sim como calabouço de situações refenciais ao mundo real.

        O filme lida essencialmente com informações e a possibilidade de roubá-las ou inserí-las.  Uma trupe liderada por Leonardo Di Caprio, um extrator de sonhos que compartilha estes com objetivos próprios. O mote principal é se infiltrar na mente de um herdeiro e manipular uma informação relativa a sua herança e ao futuro da empresa de seu pai.  O desenvolvimento de tal operação envolverá uma vasta gama de empecilhos que serão tratados através de várias camadas dentro do universo onírico. O diretor Christopher Nolan optou por abordar o mundo dos sonhos de uma forma que beira o realismo. Se algumas (poucas) situações beiram o absurdo,  grande parte daquilo que é sonhado tem um caráter plausível, real,  típico de um filme de ação hollywoodiano. Tal conservadorismo representacional peca pela falta de ousadia é neste cenário psíquico que o filme se perde no seu próprio quebra-cabeça. Ao construir vários níveis dentro da obra e explicar didaticamente ao espectador cada desdobramento, o realizador cria um filme engodo. Uma boa idéia que falha na sua condução. A estética intrincada poderia ser exponenciada pela simples idéia de um sonho dentro do sonho. Porém, ao entrar cada vez mais fundo dentro do imaginário de seus personagens, ficamos à mercê de situações que apenas exploram o lado explosivo da trama. Não existe uma linha que separa o real do irreal, todo filme é construído com objetivo de enaltecer as cenas de ação em mais um thriller americano. Pura filosofia barata, contrariando uma parcela da crítica norte-americana.

Cena do Filme "A Origem"

  O único personagem  elaborado é o protagonista interpretado por Leonardo Di Caprio. Fora este, todos são construídos em cima de arquétipos específicos e funcionais para uma simples trama. A questão da memória é fundamental para a problematização do protagonista e a imagem do passado e a crise conjugal com Marion Cotillard se justificam ao final do filme. Um filme careta, que conta com uma excelente idéia mas que falha pela falta de ousadia.

 

“O sonho tornou-se a realidade deles. Quem é você para dizer o contrário?”

Lucas Murari
lucasmurari@naoesqueci.com.br



Trailler abaixo:

One Response to A Origem – Uma boa ideia que falha na sua condução.

  1. Pingback: Tweets that mention A Origem – Uma boa ideia que falha na sua condução. | Não Esqueci -- Topsy.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *